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Herança Nuclear

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_posts/2026-03-27-heranca-nuclear.md
··· 1 + --- 2 + layout: post 3 + date: 2026-03-27 12:33 -0300 4 + title: Herança Nuclear 5 + category: Notas 6 + tags: 7 + - impressões 8 + - filmes 9 + - Lynne Littman 10 + - era nuclear 11 + syndicate_to: 12 + - mastodon 13 + - bluesky 14 + syndication_urls: 15 + letterboxd: https://letterboxd.com/arthrfrts/film/testament/ 16 + --- 17 + Me lembrou de dois filmes, tão bons quanto. 18 + 19 + O primeiro foi _Stalker_, um outro filme que vê na “Era Atômica” o fim da humanidade. Ou melhor: como a bomba atômica tirou da humanidade a capacidade de sonhar, da possibilidade de um mundo melhor. Em _Stalker_, os intelectuais são engolidos pela própria desilusão, não conseguindo entender como chegamos a esse ponto de autodestruição. Em _Herança Nuclear_, o futuro é a primeira coisa que desaparece: os bebês morrem antes, e depois as crianças. 20 + 21 + O outro foi _Cemitério dos Vagalumes_. Ambos são retratos dilacerantes do esfarelamento de quem somos. A mãe enrolando o filho mais jovem num cobertor, e enterrando-o no quintal, é de uma crueza que eu não esperava — como eu não esperava no filme de Takahata, em que um irmão precisa cremar o outro. 22 + 23 + O início desse filme é de um assombro. A janela aberta, com a brisa movendo as cortinas. A mesma brisa que alimenta uma manhã normal vai ser a que vai trazer a contaminação à família. Lynne Littman filma que é um colosso: a dinâmica familiar se assenta já no início, e é a base que estrutura todo o filme. Como cada detalhe dessa dinâmica muda conforme a comida vai ficando escassa e as pessoas vão desaparecendo — literal e metaforicamente. A vida (mesmo imperfeita) da família ganha uma preciosidade tão bonita quando a gente acompanha, passo a passo, ela se dissolver. Tá aí um filme que vai me assombrar.