···33title: A Cronologia da Água
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1717+1718Assisti na Casa de Cultura semana passada, e o filme ficou cozinhando em fogo baixo em mim pela semana seguinte. Kirsten Stewart dirige bem: ela tem uma montagem de impacto que me pareceu muito com o Steve McQueen no início da carreira, e ela bebe muito da textura da memória que Charlotte Wells empregou em _Aftersun_.
18191920Mas o roteiro de _A Cronologia da Água_ não ajuda. Um dos grandes desafios de filmes “sobre trauma” é balancear a ideia de que o trauma não define a pessoa que sobreviveu ele, ao mesmo tempo que ele é uma prisão que distorce o horizonte e o destino dessa pessoa enquanto ela navega por esse trauma. Aqui, a protagonista é completamente definida pelo abuso que passou na infância, e a estrutura do filme não ajuda a amenizar essa impressão. Pra um filme de memórias, _A Cronologia da Água_ é completamente linear, então o abuso é concentrado em seus momentos iniciais, na infância da protagonista, e gera uma maré de inseguranças pelo filme todo. Em um filme de memória, porém, as relações que criamos entre as cenas são muito mais de tato: um detalhe, que lembra outro, que lembra ainda mais um. Uma estrutura não linear evitaria essa impressão de que um evento na infância influenciou todo o comportamento da personagem, fazendo ele mais assombrar ela do que justificar seu comportamento.
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88+ - Jim Jarmusch
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1616+1717+Saí da sessão já falando pro Erê que esse é o meu tipo de filme: uma tríade de pequenas histórias em que suas motivações e conclusões são tão ambíguas que elas podem não existir. Nada parece acontecer, mas Jarmusch observa tudo: os silêncios, os pequenos gestos, a forma como os personagens se movimentam pela cena. Tudo o que é dito, tudo o que não é dito e tudo o que fica pelo caminho.
1818+1919+Jarmusch usa muito bem a estrutura de três histórias que não se conectam, mas rimam. Essas rimas mais pontuam outros detalhes que parecem aproximar essas histórias: a distância que existe entre esses pais e filhos que parece intransponível, e um silêncio que é cômico, até ficar melancólico. E embora o filme todo seja engraçado, essa melancolia vai tomando conta dos personagens conforme as histórias progridem e a gente vê a distância entre essas pessoas, que se amam, só aumentar.
2020+2121+A segunda história, _Mãe_, é a minha favorita. Ajuda que tem três atrizes fantásticas em um jogo de comportamentos preciso. É um ótimo lembrete da força monumental da Cate Blanchett, que em uma cena de alguns segundos sozinha dentro de um banheiro transmite toda a tristeza de uma vida inteira de sua personagem para o espectador.