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Pai Mãe Irmã Irmão

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_posts/2026-04-14-a-cronologia-da-agua.md
··· 3 3 title: A Cronologia da Água 4 4 category: Notas 5 5 tags: 6 - - impressões 7 - - filmes 8 - - Kirsten Stewart 9 - - traumas 6 + - impressões 7 + - filmes 8 + - Kirsten Stewart 9 + - traumas 10 10 syndicate_to: 11 - - bluesky 12 - - mastodon 11 + - bluesky 12 + - mastodon 13 13 syndication_urls: 14 14 letterboxd: https://boxd.it/dTJkaJ 15 15 date: 2026-04-14 22:09 -0300 16 16 --- 17 + 17 18 Assisti na Casa de Cultura semana passada, e o filme ficou cozinhando em fogo baixo em mim pela semana seguinte. Kirsten Stewart dirige bem: ela tem uma montagem de impacto que me pareceu muito com o Steve McQueen no início da carreira, e ela bebe muito da textura da memória que Charlotte Wells empregou em _Aftersun_. 18 19 19 20 Mas o roteiro de _A Cronologia da Água_ não ajuda. Um dos grandes desafios de filmes “sobre trauma” é balancear a ideia de que o trauma não define a pessoa que sobreviveu ele, ao mesmo tempo que ele é uma prisão que distorce o horizonte e o destino dessa pessoa enquanto ela navega por esse trauma. Aqui, a protagonista é completamente definida pelo abuso que passou na infância, e a estrutura do filme não ajuda a amenizar essa impressão. Pra um filme de memórias, _A Cronologia da Água_ é completamente linear, então o abuso é concentrado em seus momentos iniciais, na infância da protagonista, e gera uma maré de inseguranças pelo filme todo. Em um filme de memória, porém, as relações que criamos entre as cenas são muito mais de tato: um detalhe, que lembra outro, que lembra ainda mais um. Uma estrutura não linear evitaria essa impressão de que um evento na infância influenciou todo o comportamento da personagem, fazendo ele mais assombrar ela do que justificar seu comportamento.
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_posts/2026-04-14-pai-mae-irma-irmao.md
··· 1 + --- 2 + layout: post 3 + title: Pai Mãe Irmã Irmão 4 + category: Notas 5 + tags: 6 + - impressões 7 + - filmes 8 + - Jim Jarmusch 9 + date: 2026-04-14 22:29 -0300 10 + syndicate_to: 11 + - bluesky 12 + - mastodon 13 + syndication_urls: 14 + letterboxd: https://boxd.it/dViGiz 15 + --- 16 + 17 + Saí da sessão já falando pro Erê que esse é o meu tipo de filme: uma tríade de pequenas histórias em que suas motivações e conclusões são tão ambíguas que elas podem não existir. Nada parece acontecer, mas Jarmusch observa tudo: os silêncios, os pequenos gestos, a forma como os personagens se movimentam pela cena. Tudo o que é dito, tudo o que não é dito e tudo o que fica pelo caminho. 18 + 19 + Jarmusch usa muito bem a estrutura de três histórias que não se conectam, mas rimam. Essas rimas mais pontuam outros detalhes que parecem aproximar essas histórias: a distância que existe entre esses pais e filhos que parece intransponível, e um silêncio que é cômico, até ficar melancólico. E embora o filme todo seja engraçado, essa melancolia vai tomando conta dos personagens conforme as histórias progridem e a gente vê a distância entre essas pessoas, que se amam, só aumentar. 20 + 21 + A segunda história, _Mãe_, é a minha favorita. Ajuda que tem três atrizes fantásticas em um jogo de comportamentos preciso. É um ótimo lembrete da força monumental da Cate Blanchett, que em uma cena de alguns segundos sozinha dentro de um banheiro transmite toda a tristeza de uma vida inteira de sua personagem para o espectador.