···11---
22-layout: post
33-title: A Cronologia da Água
42category: Notas
55-tags:
66- - impressões
77- - filmes
88- - Kirsten Stewart
99- - traumas
33+date: 2026-04-14 22:09 -0300
44+layout: post
105syndicate_to:
1111- - bluesky
1212- - mastodon
66+- bluesky
77+- mastodon
138syndication_urls:
99+ bluesky: https://bsky.app/profile/arthr.me/post/3mjiqygdauq2t
1410 letterboxd: https://boxd.it/dTJkaJ
1515-date: 2026-04-14 22:09 -0300
1111+ mastodon: https://organica.social/@arthr/116406154721865213
1212+tags:
1313+- impressões
1414+- filmes
1515+- Kirsten Stewart
1616+- traumas
1717+title: A Cronologia da Água
1618---
17191820Assisti na Casa de Cultura semana passada, e o filme ficou cozinhando em fogo baixo em mim pela semana seguinte. Kirsten Stewart dirige bem: ela tem uma montagem de impacto que me pareceu muito com o Steve McQueen no início da carreira, e ela bebe muito da textura da memória que Charlotte Wells empregou em _Aftersun_.
19212022Mas o roteiro de _A Cronologia da Água_ não ajuda. Um dos grandes desafios de filmes “sobre trauma” é balancear a ideia de que o trauma não define a pessoa que sobreviveu ele, ao mesmo tempo que ele é uma prisão que distorce o horizonte e o destino dessa pessoa enquanto ela navega por esse trauma. Aqui, a protagonista é completamente definida pelo abuso que passou na infância, e a estrutura do filme não ajuda a amenizar essa impressão. Pra um filme de memórias, _A Cronologia da Água_ é completamente linear, então o abuso é concentrado em seus momentos iniciais, na infância da protagonista, e gera uma maré de inseguranças pelo filme todo. Em um filme de memória, porém, as relações que criamos entre as cenas são muito mais de tato: um detalhe, que lembra outro, que lembra ainda mais um. Uma estrutura não linear evitaria essa impressão de que um evento na infância influenciou todo o comportamento da personagem, fazendo ele mais assombrar ela do que justificar seu comportamento.
21232222-De resto, _A Cronologia da Água_ é muito bem dirigido. A fotografia me lembrou muito Cassavetes — filmando essas atrizes em closes tão íntimos que parece querer mergulhar na pele delas. O filme nunca encontra uma sincronia entre atuação e câmera como Cassavetes conseguia, mas só pelo fato de tentar, e chegar perto, já é crédito pra Stewart. Eu acho que ela vai fazer algum filme incrível no futuro, tem muita migalha boa por aqui.
2424+De resto, _A Cronologia da Água_ é muito bem dirigido. A fotografia me lembrou muito Cassavetes — filmando essas atrizes em closes tão íntimos que parece querer mergulhar na pele delas. O filme nunca encontra uma sincronia entre atuação e câmera como Cassavetes conseguia, mas só pelo fato de tentar, e chegar perto, já é crédito pra Stewart. Eu acho que ela vai fazer algum filme incrível no futuro, tem muita migalha boa por aqui.
+11-9
_posts/2026-04-14-pai-mae-irma-irmao.md
···11---
22-layout: post
33-title: Pai Mãe Irmã Irmão
42category: Notas
55-tags:
66- - impressões
77- - filmes
88- - Jim Jarmusch
93date: 2026-04-14 22:29 -0300
44+layout: post
105syndicate_to:
1111- - bluesky
1212- - mastodon
66+- bluesky
77+- mastodon
138syndication_urls:
99+ bluesky: https://bsky.app/profile/arthr.me/post/3mjiqypvpja2t
1410 letterboxd: https://boxd.it/dViGiz
1111+ mastodon: https://organica.social/@arthr/116406155403318652
1212+tags:
1313+- impressões
1414+- filmes
1515+- Jim Jarmusch
1616+title: Pai Mãe Irmã Irmão
1517---
16181719Saí da sessão já falando pro Erê que esse é o meu tipo de filme: uma tríade de pequenas histórias em que suas motivações e conclusões são tão ambíguas que elas podem não existir. Nada parece acontecer, mas Jarmusch observa tudo: os silêncios, os pequenos gestos, a forma como os personagens se movimentam pela cena. Tudo o que é dito, tudo o que não é dito e tudo o que fica pelo caminho.
18201921Jarmusch usa muito bem a estrutura de três histórias que não se conectam, mas rimam. Essas rimas mais pontuam outros detalhes que parecem aproximar essas histórias: a distância que existe entre esses pais e filhos que parece intransponível, e um silêncio que é cômico, até ficar melancólico. E embora o filme todo seja engraçado, essa melancolia vai tomando conta dos personagens conforme as histórias progridem e a gente vê a distância entre essas pessoas, que se amam, só aumentar.
20222121-A segunda história, _Mãe_, é a minha favorita. Ajuda que tem três atrizes fantásticas em um jogo de comportamentos preciso. É um ótimo lembrete da força monumental da Cate Blanchett, que em uma cena de alguns segundos sozinha dentro de um banheiro transmite toda a tristeza de uma vida inteira de sua personagem para o espectador.
2323+A segunda história, _Mãe_, é a minha favorita. Ajuda que tem três atrizes fantásticas em um jogo de comportamentos preciso. É um ótimo lembrete da força monumental da Cate Blanchett, que em uma cena de alguns segundos sozinha dentro de um banheiro transmite toda a tristeza de uma vida inteira de sua personagem para o espectador.